quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Luzia




Vestia uma imagem torta
A morosidade arrastava os passos
O corpo não sustentava os braços
Luzia um olhar de morta,

Não era a falta de abraços dormidos
Talvez a fuga dos outonos corroídos
Que seriam invernos de infernos,
De sorrisos guardados, caídos,

Dobrar a esquina uma vez mais
Era imagem vazia
Tanto faz?

O ultimo cigarro, fim do vício?
Jogar-se do terraço do primeiro edifício?
Arrebentar o desânimo na quina da porta
Ou sangrar sem pesar a aorta?

Luzia um olhar de morta,
Foi a primeira e derradeira vez
Que vi uma pálida tez que alucina
Dobrando sem rumo uma esquina.

Luzia?
A luz jazz.


Imagem: http://media.photobucket.com/image/ESQUINA%20E%20MULHER/Marota/mulher.jpg

3 comentários:

RAUL POUGH disse...

Adorei o poema. Simples, né? Até meio piegas, este tipo de elogio. Posso te dizer: adorei você! Mas posso enfatizar algo, assim como: adorei você, especialmente o brilho dos teus olhos (remember Susan Sarandon), estas covinhas nas faces, esta boca que ao sorrir pende mais para um lado (remember Meg Ryan). Com a poesia pode ser assim: adorei os teus versos, especialmente aqueles "Vestia uma imagem torta"; "Não era a falta de abraços dormidos"; "Talvez a fuga dos outonos corroídos"; "Arrebentar o desânimo na quina da porta". Agora sim posso dizer: adorei o poema!
É isso aí, poeta! Bj.

Maria Júlia Pontes disse...

Obrigada pela visita e pelos inúmeros elogios, ahahah
adorei a sua comparação quando dizemos que algo é bonito, belo, maravilhoso...

e podemos realmente enfatizar o que há de tão belo em poemas , pessoas...
Abraços!

(ahah Meg Ryan foi engraçado , pq várias pessoas dizem)
vou prestar atenção nesse meu sorriso meio do lado, meio monalisa, aha

FláPerez (BláBlá) disse...

luzia um olhar de morta é um achado, caramba! q poema lindo!