sábado, 30 de junho de 2007

Inflamável


Gotas de chuva
Escorrem pelo
Pára-brisa
E aquele ardor
Dentro de mim
Agoniza...



Maria Júlia Pontes

Nem rosas, nem pérolas


Onde esqueceste as pérolas?
Junto com minhas rosas amarelas
Ou jogaste pela janela?
Não quero rosas nem pérolas
Desbotando de esperar
Só quero sangue pulsando
Os nossos corpos tomando
O coração à disparar
Nosso prazer aflorando
Não quero rosas à despetalar...

Maria Júlia Pontes

Sem despedida


Passara horas debruçada sobre a mesa, as lágrimas escorriam igual chuva torrencial,os olhos queimavam,o coração sangrava carmim, um coração escravo tal o cravo vermelho-sangue coagulado, que constrastava com o branco da paz que um dia sentira, com o corpo dele ao seu lado. Restara apenas o dela, ali, esvaído de forças ao ler as primeiras linhas pungentes.Ele fragmentou sua vida em cacos tão miúdos, impossível tentar juntá-los. Nem sua letra deixou, partiu deixando apenas palavras gélidas, como se tivesse sido tomado de uma amnésia insana, esquecera tudo o que vivera antes? antes do fim.Deveria ter levado a máquina de escrever, ela não mais servia, suas palavras se extinguiram, ele as arrancara para sempre, deixara os cravos e uma carta, que nem se deu ao trabalho de tirar da máquina de datilografar. Algumas horas depois ele retorna, um olhar gélido, entra sem fazer ruído algum, parecia ter esquecido algo, entra no escritório, no chão o corpo de mulher estendido, sobre o rosto, a máquina de escrever, coberta de um vermelho que se misturava aos cravos que lhe enchiam a boca, a única parte do rosto que conseguira ver.



MJulia Pontes

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Jardim no Asfalto


Tulipas brotam no asfalto
da minha rua,
colibri e bem-te-vi
sobrevoam minha janela
a perguntar por ti,
se ainda sou tua,
deixo escapar
um meio sorriso
e conto que te vi
num conto de fadas
caminhando no alfalto
a colher tulipas laranjadas,
que vieste numa tarde
ensolarada
e sem fazer alarde
me metamorfoseaste
na mulher amada

Maria Julia Pontes

Cinza


Hoje o dia amanheceu
cinza...
que restou dos lençóis
verde-azulados
que eu comprei
pra realçar seu corpo
dourado,
que não quis vir,
calando a minha redenção
que agora é apenas
Cinza...

Maria Júlia Pontes

Fio


A cama
clama a chama,
o corpo tece
o desejo que endoidece,
horas a fio...
a noite calada cresce...
enquanto o corpo nu
estremece de fio a pavio
aceso pela fagulha
em curto circuito do seu cio
transformado em gozo,
delirante arrepio,
um grito marulha ,
ecoa buliçoso,
saciada...
num sono profundo
mergulha.



Maria Júlia pontes

sábado, 23 de junho de 2007

Sangue & Poesia


Não temo a Lãmina,
não temo o tempo

eu teimo
em deixar que corte,
que sangre
por entre meus dedos
a poesia nua,
a verdade crua
pra" você que é
mal- passado"
e não percebe
a poesia cravada
no seu dia-a-dia,
eu sangro
cálices de palavras
até a morte,
cale-se!


Maria Júlia pontes

Frívolo


Toco na parede úmida
onde havia tanta luz um dia,
{a parede iluminada pelo
candelabro que nos aquecia...}
o lado esquerdo está mais úmido
faltou luz durante o dia,
Quando a noite veio,
sobrou apenas um toco de vela
pra mantê-la morna,
uso a pequena chama
pra crescer o fogo que eu ateio,
debruço na cama
e o livro que já conheço de cor
eu releio.
Maria Júlia Pontes

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Café


Será que o café esfriou
A água não ferveu
Porque o gás acabou
Ou você o esqueceu?
Será que o tempo correu
Perdi-me no caminho
Entre a flor e o espinho
Desencontrando meu EU?
Será que a nave partiu
E você nem ligou
Em silêncio ficou
Simplesmente fingiu?
Será que depois tão distante
Numa busca constante
Num café com adoçante
Descobriu quem sou EU?
Te toquei com minha mão pequenina
Te apertei contra o peito
Abracei sua sina
E você me bebeu.

Maria Júlia Pontes( JJ.Ohnizefac)



depois de rasgar poemas desde a adolescência o Café me deu coragem p mostrar o que escrevia.

Lua



A lua no céu boiando
está te espiando
pela janela,
a tua mao procurando
na noite cálida
pela mão dela,
não tema!
mantenha a calma
a lua é mansa,
ela te guia,
se a noite esfria
te aquece a alma,
espia!
é a mesma lua
que te levou
num certo dia,
ao encontro Dela,
a lua está te espiando,
fique atento!
não é São Jorge
nem aeroplano,
eu não me engano
a lua é ELA.

Maria Júlia Pontes > ese foi o segundo poema que nao rasguei...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Dorido



um rochedo, o mar
edaz medo escarpado
em cunha transformado,
bate, cunha, chora
água morna à delinear os olhos
esperançosos de outrora
ele bate, cunha, estilhaça,
anseios, devaneios são
insanos entremeios que trespassa
fazendo chorar em pedras
exíguo coração.


Maria Júlia Pontes

P&B


Naquela noite escura,
obscura,
eu procurava
a cura para a falta do seu peito
que me aquece
enternece,
estremece,
corpo transformado em vulcão
você surgiu no meio do nada,
trouxe com você
a mais linda madrugada,
o céu se abriu, a lua sorriu,
pude sentir o olhar da lua
nos flagrando
no ápice do amor,
em preto e branco,
nos fartamos
de cor.


Maria Júlia Pontes

Degustar


Tinjo a noite de púrpura,
bebo os minutos
como um vinho tinto
seco envelhecido
em barril de carvalho,
degusto a vida,
todos seus sabores,
tinjo-me
com todas as suas nuances
de cores,
então encontro-me
Arco-íris,
multiplico minhas dores
setenta vezes sete
e com elas faço flores.


Maria Júlia Pontes