quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Vôo terminal

















Essa inquietude que

Atravessa minha garganta

Aos gritos arranhando

Minhas cordas vocais

Não conhecerá jamais,


Porque os meus olhos

Insanos encobrem o agora

E perfuram feito abrolhos

Mas minha presença acalora,


Mesmo que os sinos dobrem

O meu grito será maior

E irá rasgar sua noite verniz

Sem estrelas nem luares

E o os movimentos dos quadris,


Meus músculos, despudores e cores

Serão sua cobiça afundando

Feito areia movediça,


E os condores

Voarão pras minhas

Ânsias vulturinas,


Deleite de vôo amor!


Vaga-lume no olhar


Conta que oscila,

E opaca cintila

Tragando toda luz

Dos sóis de junho,


Olhar que segreda

Terços, lágrimas,

Janelas e máculas,


Noites sempre iguais

Não fosse o mover sereno

Da aranha no teto

do mundo que Laura

anoitecia sangrando,


Era inferno e deserto

Que seu olhar percorria,

Era santa decepada

Que sua redenção trazia,


E Laura rodou, gigante

Numa noite de chuva

Bem no dia que seus olhos

Faróis de lágrimas

Alumiaram sua alma inacessível,


E brilhou azul anil

Das roupas nos varais

Olhos exímios,

Imortais.

Poema inspirado em Pirilampos cegos de Beto Menezes

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Partes de mim


– Inspirado em Traduzir-se de Ferreira Gullar



Intraduzíveis são

As partes que me cabem

Raríssimas as que poucos sabem,


E cada parte discorda da outra

Em gênero, número e grau,


Uma foi vista

Agonizando,

Em pleno carnaval,


Outra estática num farol

Cantarolando um alucinado

Rock’in Roll,


Parte de uma parte

Cruzou a Av. São João

Na contra-mão,


Foi atropelada por um caminhão

De produtos inflamáveis,


Sofrendo lesões irremediáveis,


Algumas partes são conflitos

De doçura, amargura e gritos,


As tantas outras

desvendo sob tortura

E só eu as sinto,


E minto.


Será arte?




Maria Júlia pontes

(Imagem: Acrílico sobre tela de Henrique)www.decorecomarte.com.br



Deslumbrado



Aquela estrela vermelha
caindo no meio do oceano
foi um tremendo engano,

era meu olhar alucinado
com você ao meu lado
à lamber minha orelha,

havia uma fogueira incandescente
nos olhando demente no exato momento
que eu te lambuzava de ungüento,

e nesse mesmo instante a estrela vermelha
explodiu-se no mar chuviscando ardência
nos quatro cantos do mundo da minha ilusão
de prazer sem razão, e aflita querência.


maria Júlia Pontes

Aflição


As feras rondam-me famintas,
farejam o gosto de sangue
impregnado no meu olhar
e minha alegria extinta,

cansada desse auspício
ensaio uma queda livre
no mais próximo precipício.


Maria Júlia Pontes

Revelar


Minhas minas
explodiram
seu passado
sentado na geral,

a bomba armada
foi proposital,

você acendeu
o estopim,

o fogo,
já estava
em mim,

explodimos
na platéia
inanimada

sem necessidade
de me fazer de rogada,

e num show
pirotécnico,

desvendamos
nosso mundo
multi-étnico.


Maria Júlia Pontes

Anomalias


A beleza da face
que me deram,
um regalo,

tento escondê-la
entre meus versos
sem fisionomia,

e apunhalo
cada traço,

assim refaço
minha perfeita
anomalia,

então entorno
caldo quente
nas entranhas
que adorno,

e sou febre,
calor aferventado
nas noites
que você - afogueado

desliza entre minhas pernas, e hiberna.


maria Júlia Pontes

Cáceres meu cais


Quando a tarde cai
embriago-me das odes sagradas
entoadas pelos cantos do meu cais,

quando a tarde vai
o vermelho laranja
afogueado reflete
meu corpo que navega
pelas águas do Paraguai

Cáceres movimenta-se oblíqua
em minha direção,

toco as vitórias-régias
num tom verde enluarado,

e a noite dança inquieta
sobre as ondas do meu rio
que se agita a cada entoar
das vozes unidas para sempre
nos ecos da minha memória,

riscando o Paraguai está
grande parte da minha história.



maria Júlia Pontes (Imagem Cáceres-MT)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Quereres


Os meus quereres

ondulam alto

num planalto

de Zimbábue,


atravessam o Kariba

em pecados originais

que me inundam

com suas águas artificiais,


então versejo pecados abusivos,

que escorrem do seu corpo persuasivo

no meu, fricativo de branca louca

dourada pelo sol de Zimbábue


os meus quereres

são girafas rupestres,

são delírios correndo

atrás de foguetes

por todo globo terrestre.


Maria Júlia Pontes Imagem (Kariba- Zimbábue)

Às favas


Me esquivo diante de seres assim

passivos e ao mesmo tempo corrosivos,

corroem pelas beiradas feito soda cáustica

com uma rapidez imprescindível,

a minha face amarela não derrete

feito vela, porque me basto, me afasto,

a redoma que inventei não foi por acaso,

nada é por acaso, nem o sol nasce a troco

de alguns centavos,

as abelhas não constroem à toa os favos.







Maria Júlia Pontes (AC)

Anoitecer no Tietê


Esse bem querer

Que carrego

Me pesa nos ombros

Em noites assim,

Chuvosas em que me vejo

Rasgando a Marginal

Pra não doer sozinha,

Cada acelerada é como

Uma viagem pra nenhum lugar

Os caminhões parecem maiores,

O Tietê não me incomoda,

Ele me ajuda engolindo parte

Da sensação dolente,

Algumas vezes penso em navegar

De carro, isso mesmo, boiar no Tietê

Em plena luz da lua que nem sequer apareceu

E lá deixar uma parte desse doer...

E anoitecer de vez.



maria Júlia Pontes (AC)

Samba sem cordão

Vou assistir você deitar e rolar

escolher o lado que pretende sambar,

tirar os sapatos dessa alma dura

e apertar os passos sem qualquer frescura,


o tempo se perdeu só por prazer

de nos ver enlaçados pelas escolhas

o lado esquerdo é enredado e faz doer

encarcera, adultera, e cria bolhas,


e na avenida das desolações,

vou entoando meus desejos e bordões,


em coro lento, tamborim desatinado,

enlouqueço o surdo e então me mudo

pro lado que o samba ecoar cadenciado

e a cuíca chorar pedindo agrado,


lá vou eu uma vez mais, sem o meu chão

no tal samba amarrado e sem cordão,

sem estandarte, sem baliza e nem bastão,

apenas mais um samba, quee não é canção


conheço bem seu gingado e sua fissura,

vem cá me agarra e me encha de loucura.





Maria Júlia Pontes

sábado, 8 de setembro de 2007

Aportar


O último pôr-do-sol
despencou no mar
acenando tchau!

e parecia rir de mim,
aquele sol rebuscado
em carmim,

ele sabia que a nau
não aportaria,
então ria,

nem veleiro, nem navio,
um displicente
extravio,

eu nunca mergulho
os pés primeiro,
vou de cabeça,

e rezo,
pra que nenhuma pedra
apareça,

inconseqüência ou não
prefiro me privar
da razão.

Maria Júlia Pontes

Lúgubre


No ventre da chuva
a minh’alma chora
em posição fetal,
escorre úmida
pelas entranhas
saltando minhas veias,
sentimento letal.

(Maria Júlia Pontes)

Estrangeira


A calmaria sempre vem
brincar no meu portão de ferro que range,
estranha, me deixa nos cantos,
uma falange de silêncios que tem lá seus encantos,

ela aparece do nada
não tem hora, nem dia,
toma-me num leve açoite,
transforma-me numa estranha arredia,

nossa relação é conturbada
ela sempre fica magoada,
o que posso fazer se ela finge
que sou afável, serena, estática esfinge,

sem nada a fazer ali parada,
devoro-a numa só talagada.

Maria Júlia Pontes

Malabarista


O amor me vem feito um menino,
fazendo malabarismos no farol
da esquina movimentada
do meu quintal cercado,

aparece do nada e me acusa
de rondar suas entradas
envoltas de arame farpado
feito uma intrusa,

eu, como quem não quer nada,
uso e abuso da alucinação tentadora
que me faz fogo inebriante em propagação
sem sentir suas ranhuras,

deleito-me no seu mundo absurdo,
finjo que não ouço seus gritos,
inebrio-me dos prazeres que me inundam,
não penso em suas recônditas agruras,

farto-me das suas concretas incertezas, e levito.


Maria júlia Pontes

Des(via)

O
 via
  duto
    júlio
      de
       mes
        quita
          Ne
          to
          é
          o
         teto
        da
       mes
      quita
    dos
   des
  va
 li
dos


Maria Júlia Pontes

Para sempre desvairada


O que é aquela cruz
no fim do túnel da Av. Rebouças
que o paulistano sustenta
[dia ....... após..... dia]
e que não se traduz?

luzes ao contrário trafegam nas vias
nas vidas dos transeuntes, Inferno e céu,
[se misturam]
ilustres, trabalhadores e otários
[Se aturam]

e desvaira pra nunca mais parar a paulicéia
nos palcos da multi-étnica platéia
que se arranha entre fumaça e pó
menino no farol...
[malabarista da fome]
um pouco de fé, e mais nada a temer,

meia volta vou ver!
e a única saída que alenta,
[desapressado]
não adianta correr,
[é esperar pra morrer]


Maria Júlia Pontes

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Poesia Viva ( meu Funeral)


Poesia Viva ( ou : Meu funeral)


Quando eu morrer,
não quero flores nem velas,
nem tampouco quero choro

[aqueles entoados em coro]
não quero!


entoem um samba , um rock , um chorinho ou bolero
[ assim espero]


quando eu finalmente partir,
envolvam meu corpo gelado
num lençol esverdeado
imaginem-me a sorrir


repousem-no numa cova rasa
coberta com a terra sagrada,
úmida, arada e fria,
sorvam uma doce sangria,


e nesse dia ainda...
espalhem sobre minha cova
escritos em verso e em prosa,
épicos, concretos, modernos,
[meus doces laços eternos]


então, algum tempo depois,
recolham meus restos em poesia
transformem em lataria
enfim... feliz serei


Eu, poesia enlatada em pó, [voltei].


Maria Júlia Pontes

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Amargo Outono


Apenas uma única mala compunha sua bagagem,
Maria, olhar de revolta, outono de fel, viagem sem volta,

abotoou o paletó, arrancado então aos prantos
com choro de fazer dó, encolhida no seu canto, amargou feito jiló,
só Deus sabe até quando,

do pai que brotou Maria, nasceu o macho que ele urgia
onde será que Maria vai, no segundo óbito do pai?

quem sabe Minas, Bahia, par ou ímpar? tire uma carta,
preocupação sem valia, vá pro raio que te parta!
(nunca teve serventia)

talvez sente-se na varanda e decida o vai-não-vai ensaiando uma ciranda,
afinal órfã já era e vivo estava o pai.



Maria júlia Pontes

Prato do dia






Não só fome ou inexplicável gula, palavras come por compulsão,
inúmeras fúrias desencadeiam um buscar sem pesar,
o peso na boca do estômago zomba e ri,
então, em total asfixia, comprime cada letra tardia que há pouco estava ali,

vomita uma vez mais, gargalha...
como se em transe atingisse o ápice de sua anorexia
enquanto expele sua torpe caligrafia
delira e imagina: - qual será o prato do dia?



Maria Júlia Pontes

Ao pé do ouvido


Hoje o vento soprou doído
segredos ditos ao pé do ouvido,
vento de Agosto profano

sem piedade a ventar
traz meu amor ou me dano
pois só cresce o meu pesar

ha! essa minha saudade
nesse peito frouxo, esquisito
de tão grande já não cabe

acorda amor, o galo já cantou
vem ligeiro pro meu corpo
cometer mais um delito

quem não sabe o que é paixão,
deixe o dito por não dito.


Maria Júlia Pontes

sábado, 4 de agosto de 2007

Concreto amor marginal






e nos meus olhos de jabuticaba que não está madura
você embrenhou-se na verdura,
e nas curvas sinuosas à direita do meu corpo
você me amou... (um amor de esquerda),

politicamente incorretos,
nem chão, nem pão, nem teto,
apenas a Marginal, o frio, o rio,
amamos-nos cercados do concreto desejo marginal,

e agora não sei se rio
e você não sabe se há mar,
não sabemos da ponta do fio das horas
nem do aparato pra língua afiar.
(fui embora).

Maria Júlia Pontes

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Língua


Língua solta,

sem rodeios

indaga sem medo

a que veio?


Língua presa

cala seco

a dor das ruas

as mortes nos becos


Língua quente,

um ópio, um vício

transforma o prazer

em seu único ofício


Língua fria

profere nos palcos

o que não acredita,

Maldita!


Língua santa,

espalha o bálsamo

um doce alento

diluindo o tormento


Língua sua,

me lambe, entorpece

e num gozo frenético

meu corpo padece


Minha língua na sua, solta, meu corpo no seu, preso que nunca esfria, .eu sei não sou santa, então eu me rendo a sua língua vadia.


Maria Júlia Pontes

Há risco


O risco rasura as linhas traçadas à risca

enquanto a mente revolve o risco,


os dedos desatinados percorrem o papel,

palavras escorrem, ora doces, ora fel


a certeza balança lenta envolta ao mistériodo descomedido vitupério... tormenta,

a noite é uma roleta muda, a bola não para onde enumerei

arrisco mais uma rasura bem na frase que mensura os sentimentos que a (risquei).




Maria Júlia Pontes

sábado, 14 de julho de 2007

Farta


Maléficas horas danadas, corta-lhe o peito o cutelo,
Um querer pérfido e farto, num canto qualquer de um quarto
No seu louco inferno esquecido, um coração arrefecido,


Me admira a tal donzela, tão formosa, tão singela,
Por fartas horas a eito, tentando contar em versos
Os sentimentos controversos, emaranhados no seu peito,


Já caíra em desmazelo, esperando uma emulsão
Que alguém inventaria, pra poder remediar, o que não se remedia.




Maria Júlia Pontes

Letras Daninhas






O olhar , através da lente
devora minh'alma aturdida, sem calma
mirado certeiro no meu corpo fremente,


a escrita grita, o que sua fala cala
em palavras derramadas noite adentro,
leio os versos num intento... me desconcentro,


as pálpebras pesam nas linhas
de um poema feito ladainha
gritando em coro "sua alma é minha,"

e esvaem-se as palavras
e brotam pensamentos
e germinam grãos


de uma plantação que engatinha
por entre letras daninhas
e eu me flagro em devaneio
que eu não sei de onde veio,

eu ensaio um solo:
"Não, Nâo, eu sou só minha"
e no sono que eu durmo, adivinha?
amanheço num colo que me aninha,


Desperto e rio da minha própria ladainha, que não seca,
Do meu sonho que peca e não posso tocar.






Maria Júlia Pontes



(inspirado no poema "Ladainha Seca" de Anderson H. http://andersonpoemas.blogspot.com/)

sábado, 30 de junho de 2007

Inflamável


Gotas de chuva
Escorrem pelo
Pára-brisa
E aquele ardor
Dentro de mim
Agoniza...



Maria Júlia Pontes

Nem rosas, nem pérolas


Onde esqueceste as pérolas?
Junto com minhas rosas amarelas
Ou jogaste pela janela?
Não quero rosas nem pérolas
Desbotando de esperar
Só quero sangue pulsando
Os nossos corpos tomando
O coração à disparar
Nosso prazer aflorando
Não quero rosas à despetalar...

Maria Júlia Pontes

Sem despedida


Passara horas debruçada sobre a mesa, as lágrimas escorriam igual chuva torrencial,os olhos queimavam,o coração sangrava carmim, um coração escravo tal o cravo vermelho-sangue coagulado, que constrastava com o branco da paz que um dia sentira, com o corpo dele ao seu lado. Restara apenas o dela, ali, esvaído de forças ao ler as primeiras linhas pungentes.Ele fragmentou sua vida em cacos tão miúdos, impossível tentar juntá-los. Nem sua letra deixou, partiu deixando apenas palavras gélidas, como se tivesse sido tomado de uma amnésia insana, esquecera tudo o que vivera antes? antes do fim.Deveria ter levado a máquina de escrever, ela não mais servia, suas palavras se extinguiram, ele as arrancara para sempre, deixara os cravos e uma carta, que nem se deu ao trabalho de tirar da máquina de datilografar. Algumas horas depois ele retorna, um olhar gélido, entra sem fazer ruído algum, parecia ter esquecido algo, entra no escritório, no chão o corpo de mulher estendido, sobre o rosto, a máquina de escrever, coberta de um vermelho que se misturava aos cravos que lhe enchiam a boca, a única parte do rosto que conseguira ver.



MJulia Pontes

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Jardim no Asfalto


Tulipas brotam no asfalto
da minha rua,
colibri e bem-te-vi
sobrevoam minha janela
a perguntar por ti,
se ainda sou tua,
deixo escapar
um meio sorriso
e conto que te vi
num conto de fadas
caminhando no alfalto
a colher tulipas laranjadas,
que vieste numa tarde
ensolarada
e sem fazer alarde
me metamorfoseaste
na mulher amada

Maria Julia Pontes

Cinza


Hoje o dia amanheceu
cinza...
que restou dos lençóis
verde-azulados
que eu comprei
pra realçar seu corpo
dourado,
que não quis vir,
calando a minha redenção
que agora é apenas
Cinza...

Maria Júlia Pontes

Fio


A cama
clama a chama,
o corpo tece
o desejo que endoidece,
horas a fio...
a noite calada cresce...
enquanto o corpo nu
estremece de fio a pavio
aceso pela fagulha
em curto circuito do seu cio
transformado em gozo,
delirante arrepio,
um grito marulha ,
ecoa buliçoso,
saciada...
num sono profundo
mergulha.



Maria Júlia pontes

sábado, 23 de junho de 2007

Sangue & Poesia


Não temo a Lãmina,
não temo o tempo

eu teimo
em deixar que corte,
que sangre
por entre meus dedos
a poesia nua,
a verdade crua
pra" você que é
mal- passado"
e não percebe
a poesia cravada
no seu dia-a-dia,
eu sangro
cálices de palavras
até a morte,
cale-se!


Maria Júlia pontes

Frívolo


Toco na parede úmida
onde havia tanta luz um dia,
{a parede iluminada pelo
candelabro que nos aquecia...}
o lado esquerdo está mais úmido
faltou luz durante o dia,
Quando a noite veio,
sobrou apenas um toco de vela
pra mantê-la morna,
uso a pequena chama
pra crescer o fogo que eu ateio,
debruço na cama
e o livro que já conheço de cor
eu releio.
Maria Júlia Pontes

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Café


Será que o café esfriou
A água não ferveu
Porque o gás acabou
Ou você o esqueceu?
Será que o tempo correu
Perdi-me no caminho
Entre a flor e o espinho
Desencontrando meu EU?
Será que a nave partiu
E você nem ligou
Em silêncio ficou
Simplesmente fingiu?
Será que depois tão distante
Numa busca constante
Num café com adoçante
Descobriu quem sou EU?
Te toquei com minha mão pequenina
Te apertei contra o peito
Abracei sua sina
E você me bebeu.

Maria Júlia Pontes( JJ.Ohnizefac)



depois de rasgar poemas desde a adolescência o Café me deu coragem p mostrar o que escrevia.

Lua



A lua no céu boiando
está te espiando
pela janela,
a tua mao procurando
na noite cálida
pela mão dela,
não tema!
mantenha a calma
a lua é mansa,
ela te guia,
se a noite esfria
te aquece a alma,
espia!
é a mesma lua
que te levou
num certo dia,
ao encontro Dela,
a lua está te espiando,
fique atento!
não é São Jorge
nem aeroplano,
eu não me engano
a lua é ELA.

Maria Júlia Pontes > ese foi o segundo poema que nao rasguei...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Dorido



um rochedo, o mar
edaz medo escarpado
em cunha transformado,
bate, cunha, chora
água morna à delinear os olhos
esperançosos de outrora
ele bate, cunha, estilhaça,
anseios, devaneios são
insanos entremeios que trespassa
fazendo chorar em pedras
exíguo coração.


Maria Júlia Pontes

P&B


Naquela noite escura,
obscura,
eu procurava
a cura para a falta do seu peito
que me aquece
enternece,
estremece,
corpo transformado em vulcão
você surgiu no meio do nada,
trouxe com você
a mais linda madrugada,
o céu se abriu, a lua sorriu,
pude sentir o olhar da lua
nos flagrando
no ápice do amor,
em preto e branco,
nos fartamos
de cor.


Maria Júlia Pontes

Degustar


Tinjo a noite de púrpura,
bebo os minutos
como um vinho tinto
seco envelhecido
em barril de carvalho,
degusto a vida,
todos seus sabores,
tinjo-me
com todas as suas nuances
de cores,
então encontro-me
Arco-íris,
multiplico minhas dores
setenta vezes sete
e com elas faço flores.


Maria Júlia Pontes