
Conta que oscila,
E opaca cintila
Tragando toda luz
Dos sóis de junho,
Olhar que segreda
Terços, lágrimas,
Janelas e máculas,
Noites sempre iguais
Não fosse o mover sereno
Da aranha no teto
do mundo que Laura
anoitecia sangrando,
Era inferno e deserto
Que seu olhar percorria,
Era santa decepada
Que sua redenção trazia,
E Laura rodou, gigante
Numa noite de chuva
Bem no dia que seus olhos
Faróis de lágrimas
Alumiaram sua alma inacessível,
E brilhou azul anil
Das roupas nos varais
Olhos exímios,
Imortais.
Poema inspirado em Pirilampos cegos de Beto Menezes
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