
O amor me vem feito um menino,
fazendo malabarismos no farol
da esquina movimentada
do meu quintal cercado,
aparece do nada e me acusa
de rondar suas entradas
envoltas de arame farpado
feito uma intrusa,
eu, como quem não quer nada,
uso e abuso da alucinação tentadora
que me faz fogo inebriante em propagação
sem sentir suas ranhuras,
deleito-me no seu mundo absurdo,
finjo que não ouço seus gritos,
inebrio-me dos prazeres que me inundam,
não penso em suas recônditas agruras,
farto-me das suas concretas incertezas, e levito.
Maria júlia Pontes
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