terça-feira, 26 de agosto de 2008

Macarrão com vatapá


Eu tenho o branco na pele

que herdei da palma da mão

dos meus antepassados,


cabelos louros Afro-Ítalo-Sul-Americanos

[encaracolados]

fragmentos do negro e do mouro,


o sangue que corre em minha veia,

escorre farto em cadeia

e nos barracos das favelas,


as lágrimas que rolam aqui,

vieram de outro quintal

no dia que a nau aportou

trazendo um certo Cabral.


Então, sou assim, preta, branca, mulata,

brasileira, faceira, incansável acrobata.


Maria Júlia Pontes

3 comentários:

Flávio Vicente disse...

Má, sua cara este poema, lindo e expressivo!!!! Beijos

Titi disse...

Muito bom!!!

D.Ramírez disse...

Bem legal